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14 de Dezembro de 2009 - 10h30
Otávio Cançado, diretor-executivo da Abiec: exportações a UE, OMC, rastreabilidade e sustentabilidade
 
 

 1.Como vai funcionar essa consulta à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a UE, sobre essa "discriminação da carne brasileira"?
 
 "Brasil vai fazer consulta formal a UE sobre tratamento injusto em relação as importações de carne brasileira. Vamos decidir como fazer, exatamante isso, na semana que vem, com o governo, em Brasília".
 
 "O Brasil é o único país que precisa de uma lista de fazendas aptas a exportar a UE".
 
 "Botswana exporta para a UE e teve casos recentes de febre aftosa".
 
 "Já perguntamos muitas vezes e não obtivemos uma resposta sobre os motivos desse tratamento desigual. Queremos uma resposta técnica".
 
 "O Brasil deve entrar com essa consulta formal apenas em 2010, pois não é uma ação apenas do setor privado, da Abiec, mas vai envolver também o Ministério da Agricultura e o Itamaraty".
 
 2.O que a Abiec deseja que a UE flexibilize?
 
 "Queremos o que o MAPA já pediu a UE e foi negado. Hoje é preciso que a entrada na lista da UE (lista Traces) seja automática. Nós queremos profissionais (agrônomos, zootecnistas e médicos veterinários) possam fazer as auditorias, aumentando a capacidade de auditoria, limitado pelo número de técnicos do Ministério. O MAPA faria uma checagem em apenas uma amostra das fazendas, e não 100%, como é hoje".
 
 "A UE tem uma atitude discriminatória em relação ao Brasil hoje. Queremos saber a razão disso, uma resposta técnica".
 
 3.Qual a avaliação da lei atual da rastreabilidade, sancionada recentemente, de autoria de Ronaldo Caiado?
 
 "Eu acho que a proposta do deputado Ronaldo Caiado pode ajudar sim, mas é preciso levar em conta que para exportar é preciso mais do que sanidade. É preciso padrões de qualidades, como por exemplo na Cota Hilton. Para esses mercados e para esses clientes, vamos precisar atender as regras e demandas dos compradores, que são questões de qualidade".
 
 "Para atender a Cota Hilton, é preciso que tenhamos rastreabilidade desde os 10 meses (desmama). Essa decisão é uma questão de mercado, uma decisão econômica, dos produtores e dos frigoríficos".
 
 4.E a possível/provável consulta pública sobre o Sibov que o Mapa irá divulgar? Qual a posição da Abiec sobre o tema?
 
 "A informação que tenho é que hoje (terça, 08-12) está acontecendo uma reunião do CTC do Sisbov e que está sendo acordado entre Ministério, produtores e frigoríficos. Me parece que a questão com os produtores já está resolvido e vamos resolver os pontos dentro dos frigoríficos".
 
 5.Você acredita que a UE pode aceitar carne bovina do Brasil, sem identificação individual?
 
 "Eu acho que dificilmente isso muda. A lei aprovada pelo deputado Caiado diz que a rastreabilidade é voluntária. O produtor e o frigorífico que queiram ter acesso a europa, e ao mundo, vão precisar atender a rastreabilidade. E a tendência mundial é uma rastreabilidade com identificação individual. Vai depender da decisão de mercado de cada produtor e de cada frigorífico".
 
 6.Qual a sugestão para o Mapa aumentar o número de fazendas aptas a exportar a UE?
 
 "Nossa proposta é que seja flexibilizada a habilitação de fazendas e também o processo de inclusão na lista Traces. Não vejo outras sugestões no momento".
 
 "Da forma que está, o sistema está amarrado, gerando uma lentidão na lista de ".
 
 "A UE tem hoje em tese, o controle do acesso de carne brasileira. Se querem limitar, não autorizam novas fazendas, se querem aumentar, incluem mais fazendas na lista".
 
 "Hoje temos uma duplicidade de auditoria, duplicidade de trabalho. Isso gera um custo extra, imposto pela UE".
 
 "Um número muito pequenos de fazendas habilitadas a exportar a UE".
 
 7.Qual sua opinião sobre o recém-divulgado programa de certificação da Abras?
 
 "Existe uma tendência, não só da Abras, mas também do BNDES, que querem comprovação de respeito a legislação ambiental, seja para comprar (Abras), seja para novos financiamentos para frigoríficos e até produtores (BNDES)".
 
 "A questão da Abras é que eles atropelaram um pouco o processo, não consultando os produtores e consultando os frigoríficos apenas no final do processo".
 
 "Todo processo é positivo, mas é preciso envolver melhor toda a cadeia, não pode ser uma imposição. Os produtores não foram nem consultados".
 
 "Acredito que vamos começar uma nova rodada de negociações. Não é um processo inviável, mas precisamos repensar alguns pontos".
 
 "Toda iniciativa de melhoria do setor é válida. A iniciativa da Abras é válida".
 
 "Auditar e certificar a cria-recria-engorda é uma questão muito difícil hoje".
 
 "O BNDES por exemplo deu prazos razoáveis para que frigoríficos e produtores se adequassem. Esse é um caminho a ser seguido pela Abras".
 
 
 Fonte: BeefPoint

  

 

 
 
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